Demissão do treinador Roger Machado nos remete às mumunhas da bola

Técnico se desligou do Grêmio após derrota para a Ponte Preta

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Convido o parceiro desta interação diária a refletir sobre mumunhas do futebol. Coisas que acontecem no mundo da bola e que fogem dos olhares da maioria.

Peguemos o caso específico da demissão do treinador Roger Machado, do Grêmio, após goleada sofrida para a Ponte Preta por 3 a 0, em Campinas, na quarta-feira.

A versão transmitida à mídia foi de que o treinador não teria condições de oferecer mais ao elenco gremista, e por isso preferiu sair.

Será? Suponhamos que seja, Roger teria que ser reconhecido como profissional de comportamento diferenciado. Mesmo em situação embaraçada em clubes, a maioria não larga o osso até levar um ‘pé na bunda’.

Não descartem, todavia, que após reunião do treinador com o presidente do clube Romildo Bolzan Júnior decidiu-se por versão unificada de pedido de demissão para não constranger o profissional, em vez de desligamento originado pela agremiação.

Também assisti ao vídeo da entrevista de Roger, com resposta inócua de que em jogos fora de casa é difícil se sobrepor às dificuldades.

Para oooo, diria o humorista Bartoré. Time grande tem que impor dentro e fora de casa. Ou não?

DECLÍNIO

O que cabe, de fato, é discussão sobre o declínio técnico do Grêmio no Campeonato Brasileiro, visto que foi cotado, nas primeiras rodadas, como um dos candidatos ao título.

Claro que a distância nos cabe exercício de elucubração, com base em históricos do futebol.

Um comentarista de importante mídia de Porto Alegre falou em elenco rachado, e que o vestiário não é bom.

A rigor, o modismo no futebol é transportar parte dos problemas de um time à gestão de vestiário, como se no local de trabalho as pessoas tenham que se gostar, ou terem convivência pacífica.

Balela. Boleiro não precisa ter relacionamento pessoal. Testemunhei vários que sequer se cumprimentavam, mas o dever profissional se sobrepunha a tudo, e em campo não havia diferença.

Já que o time gremista se valia da velha escola sulista de condicionamento físico exemplar, ‘voava’ em campo, eis a questão: qual teria sido o motivo do declínio físico?

Teria virado o fio? Virar o fio, na linguagem da bola, é quando um time mostra desgaste físico, e isso implica, naturalmente, em queda de rendimento técnico.

A lentidão do time gremista contra a Ponte saltou aos olhos e abre caminho para outra elucubração: estaria a noite portoalegrense mais ‘apetitosa’?

Calma. Diferenciem elucubração de acusação. Por vezes o declínio físico de equipes é justificado por boleiros que gostam do sereno.

Elucubração à parte, o certo é que a boleirada do Grêmio não estava devidamente focada na partida contra a Ponte. Não me recordo de ter presenciado jogo dele com percentual de erros de passes tão elevado.

Bom, aí entra a falta de confiança do jogador, que gera erros de passes. E a queda da força física, da velocidade, como se explicam?

São discussões das coisas da bola e cabe-me elencá-las para que cada um tire as suas próprias conclusões.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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