Santos vai chupar o dedo com a saída de Neymar?

Pai do jogador só fala em transferência após o contrato

por Ariovaldo Izac - Campinas

O pai do astro santista Neymar falou grosso pra quem quisesse ouvir que após o encerramento do contrato, em julho de 2014, ele estará livre para seguir a vida.

É isso mesmo: o Santos ficaria chupando o dedo e o jogador provavelmente ganharia rios de dinheiro para assinar contrato com o Barcelona que, segundo o seu Neymar da Silva, a família recebe telefonema do clube espanhol todo dia.

Após o encerramento do contrato, o jogador ficará com 100% dos direitos econômicos.

Como o Santos vai escapar desta enrascada. Vai perder os 55% de direitos econômicos que tem pelo jogador?

E a DIS, detentora do restante, como fica?

Se você tivesse na pele do presidente do Santos, Luís Álvaro, o que faria nesta circunstância?

Apressar a venda a clubes do exterior? O atleta, bem orientado e ‘guloso’ pra pegar bolada integral do passe, diz que está bem no Brasil e não é hora de transferência. Tá na dele. A maioria pensaria assim.

Você, sendo dirigente santista, jogaria pesado com o jogador, dando-lhe aquele gelo em jogos do Santos? O gelo em questão seria deixá-lo no clube só treinando. E isso seria o suficiente pra criar um grilo na cabeça dele? Ele resistiria ficar só treinando ou se curvaria à realidade que todos têm que ganhar nesta negociação?

Não sei se seria a melhor equação. Talvez uma estratégia para que Neymar entenda que o Santos não pode sair desta história chupando o dedo.

A torcida aceitaria este gelo, que representaria perda significativa do potencial do time?

E a DIS, o pensa do caso? Deixaria de mão beijada para o ‘seu’ Neymar a ‘grana preta’ que virá depois da Copa de 2014?

Eis aí o imbróglio. Esse é mais um desserviço que o cidadão Edson Arantes do Nascimento prestou ao futebol brasileiro quando projetou a ‘Lei Pelé’.

Se o objetivo era tirar o atleta da escravidão, o tiro saiu pela culatra. Os escravos, nesta história, são os clubes.

Ariovaldo Izac
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos