Série C: Para evitar leilão, Portuguesa tenta tombar Canindé como patrimônio histórico

A deputada estadual Clélia Gomes, do PHS, enviou um documento ao governador Geraldo Alckimin para tentar salvar o estádio rubro-verde

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 20 (AFI) - A Portuguesa tem uma nova esperança para não perder o Estádio do Canindé, que tem leilão marcado para o dia 7 de novembro por conta de dívidas trabalhistas e inadimplência fiscal. A deputada estadual Clélia Gomes, do PHS, dirigiu ao governador Geraldo Alckimin um documento (Indicação Nº 106428) onde sugere que o estádio seja tombado como patrimônio histórico de São Paulo.

A proposta passará pelos trâmites legais na Assembléia Legislativa para então ser encaminhado ao governador. Depois, serão acionados a Secretaria da Cultura e ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), que realizará estudos técnicos da localidade e do próprio imóvel. Um parecer deve ser comunicado em um prazo médio de 30 dias. Dessa maneira, a resolução deve sair antes da data do leilão, que pode ser cancelado.

Na justificativa do documento, o texto argumenta valorizando a colônia portuguesa da cidade de São Paulo, conforme o seguinte trecho:

“Diante de tal situação, é de extrema urgência que não se meçam esforços para preservar o Estádio Doutor Oswaldo Teixeira Duarte, que é a representação viva dos nossos descobridores e carrega em suas cores e tradições, um pedacinho de Portugal em São Paulo. O objetivo do tombamento, visa a evitar que todo o acervo histórico e cultural do Estádio seja perdido no tempo e no espaço, trazendo profunda tristeza, angústia e perca para todo o povo luso-brasileiro, portanto, todos nós! “

O Estádio Canindé pode ser tombado como patrimônio histórico. (Foto: Divulgação / Portuguesa)
O Estádio Canindé pode ser tombado como patrimônio histórico. (Foto: Divulgação / Portuguesa)

CRISE DAS CRISES
A possibilidade de tombamento é uma das últimas tentativas da Portuguesa não perder seu estádio. O Canindé foi penhorado por conta de dívidas trabalhistas com atletas e pelo não pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) à Prefeitura de São Paulo. O leilão marcado para o dia 7 de novembro terá como lance mínimio o valor de RR$ 154 milhões.

Além do risco de perder o estádio e a crise financeira causadora do problema, tudo tem se refletido dentro do gramado. No ano que vem, a Lusa vai disputar a Série D do Brasileiro, já que no último domingo teve o rebaixamento confirmado ao perder por 2 a 0 para o Tombense na última rodada da Série C.

Antes da opção do tombamento, o presidente do clube rubro-verde, José Luiz Ferreira Almeida, já articulava uma manobra para tentar manter o estádio. Ele ainda tenta fechar uma parceria com a construtora Kauffmann.

A empresa compraria a parte pertencente ao Município e junto ao clube se comprometeria a construir um shopping com hotel e clube vertical, com mais apartamentos e arenas para jogos. A agremiação tem 45% do terreno do estádio (46 mil m²), e o restante (55 mil m2) pertence à Prefeitura Municipal de São Paulo