Série C: Com salários atrasados, atacante aciona Justiça e a deixa o Mogi Mirim

Keké foi o primeiro, mas outros atletas do clube já procuraram auxílio jurídico e devem conseguir a rescisão nos próximos dias

por Agência Futebol Interior

Mogi Mirim, SP, 22 (AFI) - Eliminado da Série C do Campeonato Brasileiro, o Mogi Mirim começou o clássico processo de desmanche do fim de temporada, mas não da maneira que gostaria. Endividado até o pescoço, o clube já começou a perder atletas na Justiça. O atacante Keké foi o primeiro a conseguir a liberação após decisão judicial.

O atleta tinha contrato com o Mogi até dezembro de 2018, mas agora está livre para negociar com outra equipe. O pagamento dos salários estava atrasado desde julho e o recolhimento do FGTS desde março. A decisão foi tomada com base no artigo 31 da Lei Pelé, que determina:

A entidade de prática desportiva empregadora que estiver com pagamento de salário ou de contrato de direito de imagem de atleta profissional em atraso, no todo ou em parte, por período igual ou superior a três meses, terá o contrato especial de trabalho desportivo daquele atleta rescindido. (Art. 31.)

Com crise, reuniões viraram rotina nos bastidores do Mogi Mirim. (Foto: Marcelo Gotti / MMEC)
Com crise, reuniões viraram rotina nos bastidores do Mogi Mirim. (Foto: Marcelo Gotti / MMEC)

Mas Keké não é único jogador que deve sair do clube dessa maneira, até porque todos os atletas estão com salários atrasados pelo mesmo período. Inclusive, a dívida influenciou diretamente os resultados do time dentro de campo.

Na semana passada, antes da derrota por 2 a 1 para o Juventude, o time partida oficial do time no ano, a diretoria havia prometido ao Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (SAPESP) que iria acertar o mês de junho na terça e julho na sexta-feira. Por fim, os jogadores entraram em campo sem receber um centavo.

O último salário que os jogadores receberam foi em maio. Como não estão com perspectiva de receberem os atrasados nos próximos dias, levando em conta a postura adotada pelo clube, outros atletas já entraram na Justiça e devem conseguir a rescisão.