Revoltado, presidente do Coritiba diz: 'Vão transformar o Brasileirão no Espanhol'

Rogério Portugal Bacellar crítica desigualdade financeira entre os clubes e, a falta de ética no nosso futebol

por Daniel Camargo

Curitiba, PR, 17 (AFI) – Brigando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o presidente do Coritiba não poupou criticas aos rumos que o futebol brasileiro tem tomado. Segundo Rogério Portugal Bacellar, mandatário do clube desde 2014, o nacional caminha a passos largos para se tornar um Campeonato Espanhol, onde sempre os mesmos clubes são campeões. Ele comentou a desigualdade das cotas televisivas e a falta de ética no Brasil.

Em entrevista ao Blog do Jorge Nicola no Yahoo Esportes, Bacellar afirmou que a maior dificuldade em ser presidente do Coritiba é abismo que existe entre os clubes do sul e os de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

“Estamos debatendo o tempo todo. Fomos conversar na CBF e nos disseram que estão estudando uma nova fórmula, para melhorar a distribuição das rendas de TV. Do jeito que as coisas estão indo, daqui a pouco só terão dois clubes disputando a ponta. Vão transformar o Brasileirão em um Campeonato Espanhol, em que sempre os mesmos são campeões”, disse.

“O Coritiba fatura atualmente 10% na comparação com Corinthians e Flamengo. A consequência óbvia é que todos os clubes que não ganham tanto terão times mais modestos. Para nós, a negociação com a TV é sempre difícil. E aparecer menos na TV ainda gera outros problemas, como menor exposição na mídia, menor apelo com patrocínios”, completou.

ÉTICA NO FUTEBOL
Recentemente ligado a Corinthians, Flamengo e Palmeiras, Raphael Veiga não deve continuar no Coritiba em 2017. O jogador de apenas 21 anos é um dos destaques do clube na competição . O atleta tem contratado com o Coxa e até o final do próximo ano, com multa rescisória estipulada em R$ 9,7 milhões para transferências nacionais. Sobre a investida dos gigantes, o presidente compara a situação com a saída de Ceará para o Internacional.

“É preciso existir mais ética no futebol. Primeiro, fazem a cabeça do jogador e depois vêm até a diretoria do clube com uma proposta irrisória. Essa situação me lembra a do Ceará, que foi para o Internacional. Além de nos tirar o atleta, o Inter só quis pagar um décimo do valor da multa. E o pior é que não pagou. Entramos na Justiça”, comentou.