Com medo de ser preso, presidente da CBF não presta homenagens à Chapecoense

Ex-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), ele assumiu a CBF no início de 2015, num momento turbulento

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 01 (AFI) – Marco Polo Del Nero deveria representar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a maior entidade do esporte brasileiro, em todo mundo. Mas, na tragédia com o voo 2933, que matou 19 jogadores da Chapecoense, 20 profissionais da imprensa, membros da comissão técnica e funcionários da empresa Lâmia na Colômbia, o presidente não pode ajudar em nada. De fato ele só apareceu para atrapalhar.

Ex-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), ele assumiu a CBF no início de 2015, num momento turbulento no futebol mundial. Em meio às suspeitas de corrupção na FIFA, órgão máximo no esporte, os Estados Unidos lideraram uma força mundial para prender suspeitos, entre eles grandes nomes como Ricardo Teixeira e José Maria Marin.

Como não poderia ser diferente, as investigações respingaram no atual presidente da CBF, que adotou uma postura um tanto quanto curiosa. Ao invés de tentar provar sua inocência, Del Nero prefere se esconder na cede da Confederação, no Rio de Janeiro. Justamente por isso ele não pode sair do país, pois teme ser preso pelo FBI e acabar numa delação premiada.

Del Nero, presidente da CBF, não presta homenagens à Chapecoense
Del Nero, presidente da CBF, não presta homenagens à Chapecoense

Este medo fez com que o maior representante do futebol nacional não viajasse para Medellin, na Colômbia, prestar sua homenagem e ainda acompanhar de perto a recuperação dos seis sobreviventes, entre eles três jogadores: Alan Ruschel, Jackson Follman e Neto. O ministro das Relações Exteriores de Michel Temer, José Serra, e o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, foram os representantes.

Além disso, a Confederação Brasileira tomou uma atitude controversa: pediu para que a Chapecoense entrasse em campo contra o Atlético-MG na última rodada do Campeonato Brasileiro para realizar uma grande ‘festa’. Ainda assim, como não poderia ser diferente, o momento é de luto em Chapecó, tanto que familiares, amigos e torcedores fazem vigília na Arena Condá a espera dos corpos.

AQUELE ADEUS!

Outra postura de Marco Polo Del Nero que chamou a atenção foi o luto com a morte de Delfim Peixoto, presidente da Federação Catarinense de Futebol e vice da CBF. Ele era um dos maiores opositores ao mandato do atual presidente e ainda assim Del Nero publicou uma nota oficial no site da entidade, mas não se pronunciou em coletiva ou foi velar o corpo do companheiro. Confira a nota oficial:

"A Diretoria da Confederação Brasileira de Futebol lamenta a trágica morte do seu vice-presidente e presidente da Federação Catarinense de Futebol, Dr. Delfim Pádua Peixoto Filho. Ele estava presente no voo da Associação Chapecoense de Futebol que sofreu um acidente na madrugada desta terça-feira, na Colômbia.

Advogado, Delfim Peixoto teve uma vida inteira ligada ao futebol e estava à frente da Federação Catarinense há 31 anos. Em 2015, assumiu o cargo de vice-presidente na CBF, onde já havia exercido outras atividades como dirigente, inclusive como chefe da delegação da Seleção Brasileira em várias ocasiões, entre elas os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

A CBF presta sua solidariedade aos familiares, oferecendo total apoio para este momento extremamente difícil.

Marco Polo Del Nero"