Empresários tiraram Chapecoense da beira da falência

Com dívidas que somavam R$ 1,5 milhão a diretoria chegou a cogitar a possibilidade de fechar definitivamente as portas do clube

por Agência Estado

São Paulo, SP, 30 - A Chapecoense virou case de sucesso no futebol brasileiro devido à sua rápida ascensão nos últimos anos. O clube subiu da Série D do Campeonato Brasileiro para a Série A em apenas cinco anos e, desde a sua chegada à elite do Nacional, em 2014, tem desbancado times tradicionais e com orçamentos mais volumosos.

Fundada em 1973, a história da Chapecoense começou a mudar a partir de 2005. Com dívidas que somavam R$ 1,5 milhão e eram consideradas impagáveis, a diretoria chegou a cogitar a possibilidade de fechar definitivamente as portas do clube. Um grupo de empresários da cidade, ligados ao ramo de frigoríficos e ao agronegócio, no entanto, se uniu para quitar as pendências e salvou o time da falência.

A mudança de gestão e o equilíbrio nas finanças não demoraram para começar a dar resultado. Em 2007, o time foi campeão estadual depois de 11 anos de jejum. Duas temporadas depois, conseguiu subir da Série D para a C do Brasileiro.

Junto com os acessos de divisão, veio também o expressivo aumento na arrecadação em um curto espaço de tempo. O orçamento de R$ 13 milhões em 2013 saltou para R$ 45 milhões nesta temporada. Mesmo assim, é quase 10% dos R$ 400 milhões recebidos pelo Flamengo, por exemplo.

O mesmo abismo se vê em relação ao patrocínio da Caixa Econômica Federal, que para estampar a marca do banco no uniforme do clube paga R$ 4 milhões por ano. Já o Corinthians recebe R$ 30 milhões.

SANDRO PALLAORO, O CARA
Mesmo com o aumento nas receitas nas últimas temporadas, a maneira de administrar o clube permaneceu inalterada. Dono de uma distribuidora de frutas na cidade, o presidente da Chapecoense desde 2008 era Sandro Pallaoro, morto no acidente de avião.

Presidente desde 2008, Sandro Pallaoro foi o responsável pela mudança da Chapecoense
Presidente desde 2008, Sandro Pallaoro foi o responsável pela mudança da Chapecoense
Ao lado de outros empresários da cidade que faziam parte da diretoria, ele implantou uma política de austeridade financeira e só gastava o dinheiro que tinha em caixa. Com folha salarial de R$ 2 milhões, a Chapecoense surpreendeu ao anunciar que pagou 14º salário aos seus funcionários em 2015 - uma forma de gratidão.

A filosofia de Pallaoro era fazer o que ele chamava de "um futebol diferente do praticado no Brasil", honrando salários em dia no clube. Nas últimas temporadas, a Chapecoense se destacou por ter um elenco homogêneo, sem grandes atletas.

O teto salarial era de R$ 100 mil por mês. Segundo o dirigente, não adiantava contratar um jogador medalhão. A filosofia era buscar no mercado jogadores com motivação para atuar na Chapecoense e ambição de defender a equipe para crescer profissionalmente no futebol.

No grupo de jogadores mortos no acidente aéreo, o único que destoava desse perfil era o meia Cleber Santana, de 36 anos, capitão do time, e com passagens por Santos, São Paulo, Atlético-PR e os espanhóis Atlético de Madrid e Mallorca.

CT E BONS PÚBLICOS
A menina dos olhos da Chapecoense é o centro de treinamento, inaugurado em 2014. O local custou R$ 2 milhões, ocupa uma área total de 83 mil metros quadrados, possui três campos oficiais e um anexo para as categorias de base, cinco vestiários, academia, sala de massagem, sala de fisioterapia, rouparia e cozinha. Antes da construção do CT, a equipe treinava em campos localizados em fazendas e fábricas de empresários da região.

Os 200 mil habitantes da cidade da parte Oeste de Santa Catarina, distante quase 600 quilômetros da capital Florianópolis, "abraçaram" o time. Com 7,6 mil torcedores por jogo no Campeonato Brasileiro, a Chapecoense tem a melhor média de público entre os clubes catarinenses e está à frente também de Botafogo, Ponte Preta e América-MG, rebaixado.