Adeus a Armando Mendonça, que cuidou do futebol da Ponte Preta

Adeus a Armando Mendonça, que cuidou do futebol da Ponte Preta

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Tem sido rotineiro confrontos entre torcedores de Ponte Preta e Guarani no bairro Vila Industrial, em Campinas. Neste domingo (16-10), a briga resultou em detenção de 21 pessoas e ferimentos leves em outros envolvidos.

Contrastando com esse cenário de ‘guerra’, rivais clubísticos em família conviviam pacificamente no trabalho. Em meados da década de 80, os irmãos Mendonça - então proprietários de imobiliária no centro de Campinas - foram dirigentes de clubes.

Primeiro Armando Mendonça na vice-presidência de Edson Ággio, na Ponte Preta. Depois Álvaro Mendonça, igualmente vice na dobradinha com Antonio Tavares Júnior, no Guarani.

Os quatro já faleceram, o último deles Armando, neste oito de outubro, sem que o fato tivesse a devida propagação.

81 ANOS

Armando tinha 81 anos de idade e foi ligado ao futebol da Ponte Preta. Delegava atribuições a diretores do departamento, mas com sabedoria sabia cobrar resultados práticos.

Ele atuou num período próspero da Ponte Preta, em cenário de contínua revelação de jogadores das categorias de base.

Se a zaga do time principal de 1981 já não contava com Oscar e Polosi, os substitutos estavam à altura: Juninho e Nenê Santana.

Se o artilheiro Rui Rei ficou queimado no clube após expulsão na terceira partida da final do Paulistão de 1977, Osvaldo havia sido preparado nos juvenis para assumir o posto dois anos depois, ocasião em que Armando Mendonça calçou chuteiras e participou de disputa de pênaltis com o então vice-presidente do Guarani José Vitorino dos Santos, o Zezo, antecedendo um dérbi campineiro no Estádio Brinco de Ouro. A promoção do evento foi do jornal Diário do Povo

Na prática, foi uma terrível marmelada. A pretensão deles era que não ocorresse vencedor. Apesar disso, as torcidas vibraram a cada gol marcado.

LAURO MORAES

Quando Lauro Moraes retomou a presidência da Ponte Preta no final de 1981, Armando Mendonça deixou a diretoria do clube para não mais voltar em cargos diretivos. Recusou até a trivial designação de diretor sem pasta. Preferiu continuar apenas como conselheiro nato.

Pontepretanos da velha guarda testemunharam o vice-campeonato paulista em 1981 sob a batuta do educado e hábil Armando Mendonça, enquanto aqueles que agora estão na faixa etária dos 40 anos ficaram com sucinto registro sobre o então dirigente em portais esportivos e mídia.