Perfil
Edgard Soares é jornalista e publicitário. Aos 17 anos já fazia parte da famosa Equipe 1040 da Rádio e TV Tupi e repórter da Folha de São Paulo, onde chegou a Editor de Esportes da Folha da Tarde. Criou e apresentou o programa de tv, "Estação Futebol".

Em publicidade foi diretor de algumas das maiores agências de propaganda do país (Norton, Salles, Propeg) até montar a sua própria empresa, que atende os grandes incorporadores imobiliários do país há três décadas. Foi por três vezes vice-presidente do S.C. Corinthians Paulista e presidente do Esporte Clube Taubaté.

É o único ganhador do Prêmio Clio (o Oscar da propaganda mundial) com uma campanha imobiliária.
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Coluna
Crônica Edgard Soares: Anauê, cronista esportivo!
O colunista FI faz uma bela homenagem ao Dia Nacional dos Cronistas Esportivos
Publicado na sábado, 8 de dezembro de 2012

Apesar de desde os 21 anos trabalhar em publicidade, nunca deixei de me orgulhar de ser cronista esportivo, atividade que desempenhei full time somente dos 17 aos 20 anos.

Fui para a propaganda, a profissão da moda naqueles anos 70, mas nunca me afastei do meio. Isto me faz um cronista esportivo por opção, não por profissão. Vira e mexe estava escrevendo para os mais diversos veículos sobre futebol.

Antigo Estação Futebol

E até criei uma Mesa Redonda sobre esporte, que se tornou um hobby maravilhoso. Apresentei sempre o programa com Patrícia de Sabrit e na minha bancada sempre estiveram jornalistas do calibre de Juarez Soares, Dalmo Pessoa, Orlando Duarte, Artur Eugênio, os cadeiras cativas. Também lá fez o seu debut em televisão o ex-jogador Neto, hoje talvez o comentarista mais conhecido, de mais popularidade da TV. Não faltaram na bancada também monstros sagrados como Paulo Planet Buarque e Valter Abraão.

Nos meus tempos de redator e depois diretor da Norton Publicidade, à época a maior agência brasileira do mercado, sempre que possível criava eventos em que cronistas esportivos eram convidados a trabalhar, emprestando seu talento e competência a estas ações. Nada de aparecerem com foto em anúncios impressos ou comerciais de TV. Zero de merchandising.

Procurava sempre a criatividade, o texto elaborado que então se cultivava nas redações, para que meus amigos cronistas esportivos editassem house organs periódicos e/ou edições esporádicas destes veículos corporativos.

Muitos me perguntavam: "Mas Edgard, eu não entendo nada deste mercado que você está me apresentando. E eu respondia: mas entende de diagramação, de texto, de pauta, de reportagem, de edição, que envolve lead, título, sub-título, chamadas de primeira página. O conteúdo você estuda e aprende".

No desenrolar dos trabalhos, todos me agradeciam. Não pela atividade complementar que lhes oferecia, mas sim pela possibilidade que esta proporcionava de lhes abrir fronteiras profissionais e, por que não dizer, culturais.

Foram belas lembranças de convivência com grandes jornalistas, todos cronistas esportivos, que convidei para emprestarem sua inteligência a estes jobs, como se diz em propaganda: Reginaldo Leme, o comentarista de FI da Rede Globo que todos conhecem, Ciro José, que foi diretor de esportes da Rede Globo por vários anos, Flávio Adauto, que possui simplesmente três prêmios Esso, todos no Esporte, Pio Pinheiro, o mais precoce cronista esportivo que já existiu e que já escrevia aos 15 anos na Última Hora e aos 16 na Edição de Esportes de O Estado e depois no Jornal da Tarde, o brilhante Paulinho Matiussi, Ítalo Neves, que se tornou redator vitorioso na propaganda anos depois, Miguel Terra, excelente cronista esportivo, considerado por Lourenço Diaféria seu sucessor no jornalismo, Hermíneo Naddeo Jr., Albino Castro, jornalista em plena atividade, que se transformaria em Diretor de Jornalismo do SBT, da TV Cultura e, olhem que charme! da TeleMontecarlo, afiliada da Rede Globo na europa. Albino, correspondente por 12 anos de O Globo e ISTOÉ na Espanha e na Itália também foi o responsável pelo lançamento do primeiro âncora da TV brasileira: Boris Casoy. Antes dele, os apresentadores de telejornais apenas liam a notícia, não participando de sua redação ou edição.

Minha paixão pelo jornalismo esportivo me fez, já com carreira sólida na propaganda, atender ao pedido de um ex-patrão e comprar o seu jornal.
Refiro-me a Geraldo Brêtas, fundador do Mundo Esportivo, jornal semanário de combate por onde passaram praticamente todos os cronistas esportivos importantes de jornal de São Paulo.

Tendo sofrido um enfarte e proibido pelo médico de continuar com seu ritmo de trabalho. Brêtas tinha um temperamento explosivo - ele me telefonou e ofereceu a compra de seu jornal. Recebi, é claro, como uma homenagem. Afinal, com 17 anos tinha trabalhado no Mundo Esportivo e na Folha ao mesmo tempo e conhecido lá jornalistas do porte de Luís Carlos Ramos, Odair Pimentel, Antonio Guzman, Alcides Silva, Roberto Avalone, Renato Santana, entre tantos outros.

Foi também o carinho pela crônica esportiva que me fez escrever dois livros a respeito e a estar aqui no FI, desde o início. E sentir orgulho por aquela idéia de três pessoas de 14 anos atrás ter-se transformado no Portal Esportivo Independente com mais acesso do país e um dos mais acessados do mundo. Estão aí as pesquisas eletrônicas do Google Analytics para comprovar: 46 milhões de page-views/mês, todo mês renovadas.

Hoje, Dia Nacional do Cronista Esportivo, invoco estas reminiscências não por saudade ou apego ao passado, porém para relembrar uma máxima que aqueles que entendem de jornalismo escrito conhecem: as duas maiores e mais profícuas escolas do jornalismo são as seções de Esporte e Polícia. Aquelas em que os repórteres vão (ou iam) diretamente à fonte. E nas quais nenhum dia é igual ao outro.

Sempre acreditei na criatividade do cronista esportivo (pelo menos os da minha geração).

Também não me canso de louvar cronistas que, invariavelmente após serem ótimos repórteres, transformaram-se em articulistas. Foi assim com Dalmo Pessoa. Não havia ninguém ligado ao esporte que não lesse sua coluna "Gente Boa de Bola", no Notícias Populares, que vendia muito em banca. Foi assim com o próprio Brêtas, com Aroldo Chiorino na Folha, com o excelente Lourenço Diáfeira, também na Folha, com Celso Brandão na Última Hora e na Folha da Tarde, com o sóbrio Pedro Luís e sua "A opinião de Pedro Luís", também na Folha, ele que foi, de quebra, o maior locutor de rádio esportivo que já existiu, com Alberto Heleno Jr., na ativa no Diário de São Paulo, mas principalmente na sua fase de Jornal da Tarde, Roberto Petri no seu jornal semanário Equipe, de gente nova boa como Mauro Beting, de Sérgio Carvalho, de quem muitas vezes discordei de pontos de vista. Mas que escreve hoje aqui no FI, um site que ajudei a idealizar, e o faz com toda independência e liberdade. Sérgio foi o principal cronista esportivo do desaparecido Diário Popular, jornal de grande tiragem a sua época como todos sabem. E também Presidente da ACEESP, a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, sucedendo a Flávio Adauto.

Foram e são cronistas incríveis. São Paulo, porém, não é como o Rio de Janeiro, que festeja tudo o que é da cidade. Nenhum destes cronistas acima fica nada a dever aos cronistas esportivos cariocas tão festejados. Sorte dos cariocas, que têm os seus conterrâneos a saudá-los o tempo inteiro.

Nós, paulistas, nunca fazemos isso. A não ser num dia como hoje, Dia Nacional do Cronista Esportivo.

Mas tenho certeza de que o FI, que costuma pautar tantos veículos, sem que os mesmo admitam, faz a sua parte ao lembrar estes nomes consagrados que possuímos. E talvez sejamos imitados positivamente.

Por falarmos em FI lembramos necessariamente da Internet. E como estão os cronistas esportivos na rede?

Milton Neves foi lembrado pelo colunista FI

Bem, os que vieram de jornal, que eram bons e bom caráter em jornal, vão bem igualmente na web.

Mas é claro que esta ferramenta maravilhosa de comunicação e interação, como não é perfeita, possibilita as aberrações que um jornal sério jamais admitiria. A vantagem é que ninguém lê as aberrações mais de uma vez. E quem lê, não lhe tem respeito algum.

Por fim, ao festejar os bons cronistas esportivos, detive-me mais nos chamados cronistas esportivos da mídia impressa. Mas Anauoê a todos os cronistas esportivos de boa índole, de todos os veículos. Anauê! neste seu dia Juarez Soares, Orlando Duarte, Élcio Paiola, Paulo Roberto Martins, Milton Camargo, Eduardo Ohata, Eduardo Arruda, Vitor Marques, Milton Neves...

 
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