


Rio de Janeiro, RJ, 02 (AFI) - Após vários boatos da possível saída de Vanderlei Luxemburgo (foto) do Flamengo, a informação se confirmou nesta quinta-feira. Após uma reunião entre os principais dirigentes do Fla nesta manhã, foi acertada a demissão do treinador e de todo departamento de futebol. Além de Luxa, foram demitidos o diretor executivo de futebol Luiz Augusto Veloso e gerente Isaías Tinoco, o preparador físico Antônio Melo e o auxiliar Junior Lopes.
Desgastado com a diretoria e boa parte do elenco, Luxa já esperava a sua saída. Ele sabia do contato da presidente Patrícia Amorin com Joel Santana e já havia avisado aos jogadores de sua dispensa. A informação já tinha vazado antes mesmo da vitória sobre o Real Potosí na noite desta quarta-feira, por 2 a 0, que classificou o Mengo para a fase de grupos da Libertadores. A mandatária rubro-negra, para motivar o grupo, resolveu anunciar a saída de Luxa para evitar corpo mole dos jogadores.
A conta agora é outra. Luxemburgo tem a multa estipulada em contrato de R$ 4 milhões pela sua demissão. Com salários de vários jogadores atrasados, basta saber quando e como ele vai receber esse dinheiro.
Passagem pelo clube
Jogador do Flamengo durante a maior parte da sua carreira como lateral-esquerdo, nos anos 70, Luxemburgo nunca escondeu ser torcedor rubronegro. O treinador assumiu o comando pela primeira vez em 1991, depois de se destacar trabalhando no Bragantino. Voltou em 1995, para comandar um elenco de estrelas e, assim como na primeira passagem, não teve sucesso.
Seu retorno à Gávea se deu em outubro de 2010, duas semanas depois de ser demitido do Atlético-MG - ele deixou o time alvinegro na zona de rebaixamento para a Série B. O começo no time carioca não foi dos melhores e o Flamengo por pouco não caiu para a segunda divisão ao fim do Brasileirão.
No ano seguinte, porém, tudo mudou. Com Ronaldinho e Thiago Neves no elenco, o treinador engatou uma série de 26 jogos invicto no comando do Flamengo, que foi campeão carioca após vencer os dois turnos do estadual. A primeira derrota de 2011, em maio, porém, custou a eliminação da Copa do Brasil, perante ao Ceará, e o início de uma crise.
No segundo semestre, uma série de resultados negativos entre agosto e setembro deixou o Flamengo longe da disputa pelo título do Brasileirão. Depois de se recuperar a voltar a brigar pela ponta, a equipe encerrou o campeonato nacional de forma vexatória, com diversos resultados ruins. Mesmo assim ficou com uma das vagas na pré-Libertadores.
O ano de 2012, porém, começou muito mal para Luxemburgo e para o Flamengo, em crise por conta dos atrasos salariais, da dívida com Ronaldinho e pela perda de Thiago Neves para o rival Fluminense. Para piorar, o treinador descobriu que o craque do elenco levou uma mulher para a concentração. Cansado dos atos de indisciplina de Gaúcho, pediu a demissão de Ronaldinho e não teve seu pedido atendido.
Credor do clube, o jogador e seu irmão e empresário, Assis, teriam condicionado a permanência de Gaúcho à saída de Luxemburgo. A situação financeira do clube, que atrasou salários, fez com que Luxemburgo atacasse também o vice-presidente de finanças, Michel Levy, acreditando que, assim, pouparia Patrícia Amorim. A presidente, porém, se sentiu atingida e defendeu Levy, dificultando ainda mais a relação entre clube e Luxemburgo. Sem a confiança da diretoria, do principal jogador do time e de parte do elenco, não havia outra saída senão a demissão do treinador.